Eu Amo o Natal

Eu amo o Natal.

Amo as luzes, o espírito, as músicas, o cheiro das comidas da época, os rituais repetidos ano após ano. Amo ver os olhos dos meus filhos a brilhar, amo criar memórias, amo a sensação da casa cheia de decoração de Natal.

O Natal, para mim, é amor.

Mas também é verdade que o Natal é uma altura em que eu me descontrolo mais.

E as duas coisas podem coexistir.

Durante muitos anos achei que, por amar tanto esta época, eu não devia sentir dificuldade. Que algo estava errado comigo por, justamente no Natal, perder mais facilmente o equilíbrio. Como se amar o Natal me tornasse imune ao que ele desperta.

A verdade é que o Natal mexe comigo.

Não é só comida. É emoção. É memória. É expectativa. É cansaço. É sentir a falta de quem já não está neste plano. É tudo junto.

E quando tudo se intensifica, aquilo que já é frágil em nós tende a vir à superfície.

Ainda por cima, no Natal, a minha vida profissional torna-se muito mais agitada. O ritmo acelera, as exigências aumentam e o espaço para descansar diminui. O corpo acumula cansaço, a mente não abranda.

Quando isso acontece, a comida aparece muitas vezes como um refúgio rápido. Não porque seja errada — mas porque, naquele momento, é o que está disponível. É conforto imediato quando tudo dentro de mim já está em esforço.

Hoje tento olhar para estes momentos com mais compaixão.

O descontrolo não é um fracasso. Não é falta de força. É um sinal.

Um sinal de que algo em mim precisa de atenção, descanso, presença ou limite.

E isso não apaga o amor que sinto pelo Natal.

Não faço promessas de perfeição. Já aprendi que elas só geram mais pressão.

O que tenho aprendido é a observar-me sem me atacar, a descansar antes de estar exausta, a permitir prazer sem punição e a aceitar que alguns dias são, simplesmente, mais difíceis.

O Natal não precisa de ser um teste à minha força.

Pode ser apenas o que é: humano.

E se amas o Natal, mas sentes que é uma época em que tudo fica mais intenso, quero que saibas isto: não estás sozinha.

É possível amar esta época e, ao mesmo tempo, reconhecer as dificuldades que ela traz. As duas coisas podem existir lado a lado, sem culpa e sem vergonha.

 

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